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Rap papo reto

mister x

Por Júlio César da Costa

 

Bruno Cordeiro Caruso, 29 anos, morador da Pavuna, cidadão carioca. Mais um filho do Rap, mais um soldado. O seu estilo de Rap é papo reto. Sem massagem, acordar pra revolucionar, assim como seu parceiro Soldado do Rap, que se apresentam na próxima RCT terça agora.  Bruno ou MISTER X nos concedeu a entrevista a seguir. Espero que curtam. Valeu.

Blog da Onda | Conta um pouco sua história de vida, como, quando e porque o Rap entrou nela?

 Mister X |  Escuto Rap há anos, desde a década de 90. A primeira música que ouvi em 1993 que me recordo e hj eu to feliz matei o presidente. Agora fazer Rap foi recentemente, há uns 4 anos, quando um certo dia, indo procurar emprego, quase fui executado junto com um bola da vez. Aí depois desse dia em que DEUS me livrou o acontecimento martelou na minha mente, aí vieram a ideia dos primeiros versos.

 

Blog da Onda | Como foi isso, o que você sentiu a partir dessa experiência?

Mister X | Como eu disse, estava saindo a procura de emprego. Aí passando na calçada onde moro na Pavuna tinha um homem baixo caminhando perto de mim. Vieram uns caras de moto e começaram a atirar. Pulei pro chão e senti um vento quente passar perto de mim, quase fui atingido. Por milagre consegui escapar e quando os homens pararam pra trocar os pentes das pistolas aproveitei pra fugir e desde então passei a ter ideia de escrever sobre os problemas cotidianos. Cresci no village bairro que pertence ao complexo do chapadão, várias vezes já tive que escapar de tiroteio, mas dessa vez senti que foi bem de perto. Pensei no assunto e daí surgiu o rapper na minha essência.

 

Blog da Onda | Como um propósito, uma missão?

Mister X | Sim, decidi que meu Rap falaria disso da minha.vida cotidiana e de tudo que passei. Pra enriquecer minhas letras passei a ler mais pra me atualizar e ter conteúdo a passar, uma ideologia forte, sólida. Pra mostrar a juventude o q sistema realmente faz com a periferia e um caminho de auto conhecimento.

 

Blog da Onda | Que livros te inspiram no rap?

Mister X | Me inspirei bastante no livro o maior segredo de David ike e o segredo do clube builderberguer de Daniel stulin, que aborda vários fatos históricos, como o sistema atua em vários campos pra tornar o mundo, os países como eles querem que isso funcione, como eles vêm há anos disseminando guerras em todas as nações. Também gosto da biografia de malala yousafzai, grande guerreira paquistanesa

 

Blog da Onda | E antes de escrever Rap, você já tinha interesse pela leitura ou quando você se encontrou no Rap esse interesse despertou?

Mister X | Vou ser sincero, quando eu era criança eu lia muito, mas na adolescência fiquei em hiato, só queria saber de zoar e mais nada, mas depois que começei a fazer Rap meus olhos se voltaram a leitura novamente e aí recomeçei.

 

Blog da Onda | Fala um pouco da sua caminhada nesses 4 anos de rap, suas criações.

Mister X | Nesses anos de Rap tomei uma decisão: antes de colocar material na net primeiro vou me aperfeiçar pra apresentar um bom trabalho. Ai em 2013 passei a pôr material na internet um ep de 7 músicas chamado “Chão de desova” e outras músicas soltas. Em 2014 começei a me apresentar em eventos e formei o grupo Pânico Verbal com meu amigo Leonardo Santos. Decidimos em 2015 começar a produção de um CD, só que ai ele se converteu pra Igreja Universal e começou a cantar Rap gospel, ai algumas coisas mudaram e o CD esta sendo modificado.

 

Blog da Onda | A parceria acabou com Leonardo?

Mister X | Musicalmente sim, porque ele agora canta Rap gospel e eu não concordo com a ideologia da igreja universal e com o comércio que a música gospel transformou a palavra de DEUS, por isso a parceria acabou, na verdade ele quis acabar.

 

Blog da Onda | Na sua opinião qual a principal transformação que o Rap faz na pessoa?

Mister X | Pelo menos comigo passei a ser mais consciente quanto ao papel do cidadão de periferia em uma sociedade que claramente  privilegia os mais favorecidos financeiramente, que faz de tudo pra nos privar de conhecimento útil pra que continuemos cegos ideologicamente. Como Rapper puxei essa responsa de trazer aos jovens de periferia o que o sistema priva deles e pra isso tenho que ser preparado.

 

Blog da Onda | Você vê o Rap como uma espécie de sacerdócio, de missão, que transcende o indivíduo?

Mister X |  Considero-me um pregador numa missão de falar a verdade sem esconder os fatos, de aconselhar as pessoas, mostrar que pra se conhecer a paz e preciso conhecer a guerra e por isso minhas letras são violentas porque elas são na mesma proporção do que os sistema nos traz

 

Blog da Onda | Mas você acha que essa é a melhor estratégia de combater a violência do sistema?

Mister X | Alguns me acusam de ser violento nas minhas letras e de fazer apologia ao homicídio, só q faço isso pra mostrar a pessoa que o mundo é cruel e que o sistema não ama você, ele te odeia. E sempre mostro um caminho de auto conhecimento e alerta em todas as minhas letras pra que a pessoa reflita em minhas palavras e busque se libertar da ideologia plantada pelo sistema.

 

Blog da Onda | Mas a realidade tá aí pra todos nós, queiramos ou não, o que falta não é amor?

Mister X | Sim, claro. Por isso cada letra, cada tema que faço penso muito antes de escrever pra passar boa mensagem, pra mostrar a importância do amor e respeito ao próximo.

 

Blog da Onda | Quais suas influências musicais?

Mister X | Facção central, Detentos do rap, a286, trilha sonora do gueto, ndee naldinho, macarrão e a velha escola do Rap nacional e também a velha escola do Rap estrangeiro: tupac ,ice t ,ice cube , nwa ,imortal technique e curto muito jazz e óperas soul music, blues e rock.

 

Blog da Onda | Qual o maior desafio pra quem tá na correria do Rap?

Mister X | O desafio é persistir, pois as dificuldades são gigantes, além das monetárias tem a questão que hoje em dia a tendência do Rap é falar de drogas e festas. Hoje em dia muitos só vão a eventos pra ver batalhas de sangue e não ouvir Rap e muitos organizadores só chamam os coleguinhas pra cantar em vez de dar chance a todos que querem mostrar sua obra e contribuir pra cultura crescer.

 

Blog da Onda | Você acha que essa “preferência” por coleguinhas acontece também nas rodas culturais?

Mister X | Sim, infelizmente bastante e isso me deixa triste porque isso atrapalha  muitos MCs combatentes a mostrar seu trabalho e expor o que pensam.

 

Blog da Onda | Qual a importância das rodas culturais pra evolução do HIP HOP carioca?

Mister X | As rodas culturais ajudam os manos a terem chance de mostrar o seu trabalho, o seu potencial. Mostrar o Rap pras pessoas de fora, oferecer entretenimento e informação a mulecada.

 

Blog da Onda | O que acha que precisamos fazer pra molecada conhecer melhor os valores da cultura HIP HOP?

Mister X | Acho que é necessario passar a parada de maneira consciente e responsável, com boa estrutura pras pesosas de fora conhecerem os valores da cultura HIP HOP, pois as pessoas de fora fazem uma imagem ruim do Rap por parte da mídia e também por parte de alguns membros da cultura que incentivam as drogas em suas letras, mas q são reverenciados na mídia justamente pra que as pessoas de fora tenham má impressão do Rap, que tem um conteúdo muito grande em sua essência. Por isso é necessário ter muito planejamento e cuidado nas rodas porque muitos vão as rodas só pra usar drogas e se chapar e não pela cultura e isso afasta muita gente das rodas, faz os pais não deixarem os filhos participarem das rodas.

 

Blog da Onda | Um recado pra galera que vai assistir seu show na RCT próxima terça?

Mister X | Meu recado é o seguinte: fé em DEUS, trabalho, dedicação e muita sede de conhecimento, pois o conhecimento é a chave pra se libertar das algemas do sistema.

 

 

Rap de guerrilha no Terreirão

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Por Júlio César da Costa

Morador de São João de Meriti, Baixada Fluminense, Marcos Gomes de Campos Junior, de 27 anos, é mais um cidadão do mundo que encontrou no Rap uma missão de vida. Com uma história bastante conturbada, marcada por problemas familiares, falta de grana, violência e até mesmo criminalidade, Marcos, mais conhecido como Soldado do Rap, é um legítimo representante do Rap Gangster. Serviu por 7 anos ao Exército, onde esteve na guerra do Complexo do Alemão e Penha em 2010, e saiu final de 2012 trazendo a patente no nome artístico e a palavra como arma.  Com um estilo de Rap que narra sem rodeios a realidade violenta das periferias e favelas, Soldado do Rap vai se apresentar amanhã na RCT e bateu um papo com o Blog da Onda.

 

Blog da Onda | Como você define o Rap Gangster?

Soldado do Rap | O gângster Rap descreve um certo gênero de  Rap, que tem por características a descrição do dia a dia violento nas periferias, falando sobre a brutalidade da polícia, sobre problemas que afetam as comunidades, os conflitos que acontece no gueto, sobre o tráfico, que é  o comércio mais ativo nas maiores periferias de todo Brasil.

 

Blog da Onda | Quando e como o Rap entrou na sua vida?

Soldado do Rap | O Rap já tava no meu DNA desde pequeno, só não tinha descoberto ainda, eu sempre gostei de músicas que retrata a realidade do nosso cotidiano, eu no quartel sofria repressão, perseguição, e lá não podia falar nada se vc falasse algo contra o sistema, vc era punido e preso então é uma ditadura militar dentro do militarismo. Então eu comecei a escrever e falar o que passava, falava de sargento tenente tudo. Fui perseguido. Foi quando eu decidi sair das forças armadas. Não aguentei a perseguição, a opressão. Foi quando eu vindo pra casa eu vi uma roda de rimas e os moleques fazendo  rimas, mas um ofendendo o outro, aí eu vi e não gostei, por que ali era uma luta sem causa, foi quando eu caí no Rap de verdade, comecei a escrever músicas falando disso é fui evoluindo. Lancei o meu primeiro CD em 2015 foi tudo rápido e já estou com as músicas pronta pro próximo CD ano que vem. A minha mente não para. Por isso que surgiu o nome Soldado do Rap.

 

Blog da Onda | Mas como você se descobriu no Rap, por influência de algum amigo ou roda cultural? Que idade você tinha?

Sodado do Rap | Eu me descobri sozinho. Minha influência era Racionas, 509 e MV Bill. Eu queria escrever já só não sabia que tinha Rap aqui no RJ foi quando eu vi uma roda cultural que tinha aqui perto de casa. Aí eu procurei saber onde tinha as rodas culturas pra cantar. E aonde tinha estúdio pra gravar. Eu tinha 25 anos. As rodas culturas são muito importantes para o crescimento da cultura, e as pessoas terem oportunidade de cantar Rap, mas como eu falei tem que ter uma causa. E as rodas culturas algumas não têm. O que você vê são os caras se atacando um a outro se ofendendo. Sem causa nenhuma. Aí você fala de política ninguém sabe nada, fala de um contexto social ninguém sabe. Eu sou a favor sim de batalha de temas de política e social, aí sim vamos ter uma evolução informativa de conhecimento, aí quero ver que é quem. Não vejo graça em batalha de sangue. Temos que pensar grande pensar em mudanças, no país que vivemos hoje não dá pra ficar mais perdendo tempo nessa. Mas as rodas culturas são muito importantes sim e não podem acabar, só tomar o cuidado com o rumo que elas estão seguindo.

 

Blog da Onda | E como tá a cena do HIP HOP na sua área?

Soldado do Rap | Aqui na baixada o que eu vejo é luta sem causa, dá pra contar nos dedos os que tão pra fazer diferença, é muita gente querendo ser estrela com o ego lá em cima, mas eu respeito a todos, por que minha guerra não é contra nenhum MC e sim contra o sistema, eu sei pelo que to lutando eu sei com quem tenho que lutar.

 

Blog da Onda | Hoje quem inspira o Soldado do Rap nas criações?

Soldado do Rap | Eduardo ex facção, facção central , trilha sonora do gueto.

 

Blog da Onda | Na sua opinião qual a principal razão pro mlk da favela entrar no crime?

Soldado do Rap | A influência conta muito na favela, o espelho é quem está mais perto, como o crime e suas armadilhas pra recrutamento. É o único meio de que você pode ter sem fazer muito esforço.

Blog da Onda | Mas a favela também ñ tem várias histórias de superação que podem ser espelhos?

 Soldado do Rap | O único poder público que entra na favela é a polícia, mandada pelo estado, não tem cultura, lazer, educação de qualidade. Só vemos o estado mandando o seu braço forte na favela, o braço opressor e isso é um ódio pros moradores de favela. É o estado atuando de modo errado. Falta saneamento e sobra miséria, pobreza e famílias desestruturadas. Tudo isso facilita a influência da criminalidade. Drogas e armas são como imã.

Blog da Onda | E as histórias de pessoas que superaram todo esse drama e se mantiveram longe da criminalidade e construíram uma vida digna, isso ñ inspira a favela?

 Soldado do Rap | De 100 uma se salva. Temos que ter superação de todos. Se não for de todos não adianta. A informação tem que chegar pra todos. E o estado impede isso. Aí que vem nós do movimento Rap pra informar essas pessoas de como temos que superar e mostrar para elas quem são os verdadeiros inimigos, mostrar que a mídia é manipuladora, mostrar que o único meio de combater o sistema é a informação pra tomarmos o poder. A favela não tem que atacar outra favela, não vai adiantar de nada você queimar escola, hospital. Tem que atacar o sistema, os políticos, a prefeitura. Aí eles vão ver a favela agindo de um modo político. Temos que ter representante nosso na política lutando por nós do gueto. A união de todas as comunidades em prol de uma revolução. No RJ são mais de 800 favelas. Imagina se todas elas se unirem, fora SP e outros estados. Temos que nos organizar.

Blog da Onda | Esses dias numa entrevista KL Jay falou que o Rap é música e música é livre. Na sua opinião há espaço pra todos os estilos de Rap na cena?

 Soldado do Rap | Sim, há espaço pra todos, cada um faz o seu, eu escuto o que eu me identifico, se você não se identificar com um estilo de música não escuta, eu me identifico com um estilo que fala de revolução, de mudança, fala do gueto, como eu já falei temos divisões demais e nossa luta e contra a opressão, por educação de qualidade, por  saúde, por cultura, por igualdade social, mas se o cara que fazer Rap de amor, maconha, putaria, ostentação, é com ele mesmo. O Rap é livre e democrático, não podemos botar uma ditadura no Rap, mas esses que fala isso não é a minha cara não fazem meu estilo não me representam, mas eu respeito.

Blog da Onda | Quando Sabota fala “Rap é compromisso”, o que você entende?

Soldado do Rap | Pra não viajar nas letras, por que têm manos aí que se deixa levar por falsas aventuras não sabe nem o que estar falando. O Rap é uma arma pra periferia, vários manos chega na quebrada e ver o barato é outro.

 

 Blog da Onda | Suas músicas falam sobre a violência policial nas favelas…se legalizasse as drogas a favela seria um lugar melhor pra se viver?

 Soldado do Rap | Na minha opinião eu acho que não por que o sistema ia criar uma proibição de outros tipos que química e proibir e injetar nas favelas, pra lucrarem, e não é a mentalidade do sistema legalizar as drogas por que é muito lucro, pros playboy, a favela só vai ter paz se ficarmos longe das drogas, longe de todas essas coisas negativa como eu falei mudança começa em cada um de nós aí sim vamos ter um revolução.

Blog da Onda | O que acha que precisa pra cena do HIP HOP crescer no Rio?

 Soldado do Rap | A união de todos sem ego, sem estrelas, sem inveja, todos lutando por um ideal de mudança e evolução. Passando uma mensagem positiva pros manos.

 

Blog da Onda | Ainda sobre as drogas, sabemos que essa guerra só tem perdedores e que essa política de proibição é fracassada. Alguns países têm arrecadado milhões em impostos com a venda da maconha pra investir em saúde e educação. Não seria esse o caminho?

 Soldado do Rap | A guerra não é por causa só das drogas, é guerra de classe social. A elite não quer igualdade do pobre com a classe alta. As drogas não é o motivo da guerra, as drogas é uma armadilha pra impedir a nossa revolução, por que ninguém faz revolução com a mente entorpecida, drogado não pensa em revolução, não tem nem força pra combater uma revolução de igual pra igual contra o sistema, se você não quer problema não quer dor de cabeça, não fuma, não cheira, não bebe, eu nunca fui enquadrado por tá com um pó ou baseado no bolso. Se você não quer problema não dá motivo pro sistema, vamos ficar longe dessa negatividade que também é prejudicial à saúde.

Blog da Onda | Um recado pra galera que vai curtir seu show na RCT.

 Soldado do Rap | Quero mandar um salve pra todas as quebradas do Brasil, e falo mas se queremos uma mudança pra nossa sociedade temos que começar a mudança primeiro dentro de nós mesmos. A informação é a luz que te liberta da escuridão, e não podemos nos entregar à repressão do sistema, temos que lutar por melhores condições de vida. Dentro e fora das prisões não temos permissão pra ler escritos libertários e revolucionários. E falo: igual a mim tem um monte, com a mesma ideologia, sede de justiça. Não vamos parar de atacar com nossas metralhadoras verbas. Só vamos descansar quando tivermos paz, justiça e igualdade pro nosso povo oprimido pelo sistema FDP opressor e manipulador. Aqui estou eu Soldado do Rap, uns dessa linha de frente dessa guerrilha informativa.

 

CD Gangster Favela: https://www.youtube.com/watch?v=EpTf23UUn3E

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Uma história de superação e beleza

 

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 Aulas de Moda e Design do SENAI/CETIQT

 

O ano de 2015 vai ficar marcado na história da Onda Carioca. O sonho de criar uma Escola de Moda, Costura e Design de Lonas se tornou realidade. Tudo começou em abril de 2011, quando em uma pequena sala da associação de moradores do Terreirão a ONG passou a realizar oficinas gratuitas de corte e costura de lonas. Na época não existiam experiências que ensinassem costura em lonas. Tudo com lona era muito incipiente.  “Andamos bastante por aí antes de começarmos trabalhar com lona. Visitamos cooperativas em comunidades, costureiras em outras cidades, pesquisamos muito na internet. E percebemos o enorme potencial da lona na criação de produtos. Assumimos o desafio de desenvolver essa inteligência criativa, implantamos uma célula de produção de produtos de lona Onda Carioca e inovamos ao oferecermos pra quem precisava descartar lonas dentro da lei os serviços de gestão ambiental do resíduo“, afirma Júlio César da Costa, fundador da Onda.

IMG_0050Chegada das máquinas de costura na associação de moradores

Nem bem começou o projeto a ONG firmou parceria com a Confederação Brasileira de Voleibol e passou a fazer a gestão de todas as lonas utilizadas nos eventos de voleibol do país. A parceria também contemplava entregas mensais de produtos sustentáveis desenvolvidos com as próprias lonas da CBV. Nos 3 anos de parceria, a ONG transformou mais de 7 toneladas do resíduo lona em milhares de produtos exclusivos CBV/ONDA CARIOCA. 

IMG_0041Todas as lonas do voleibol eram destinadas corretamente. Foram 3 anos de parceria.

Em 2012 foi a vez da ONG ser convidada pra expor o projeto no estande oficial da Prefeitura do Rio durante a Conferência Mundial Rio+20. Uma participação que repercutiu tão bem que ONDA foi contratada pra fazer a gestão ambiental das lonas da Conferência, transformando em mais de 4 mil produtos para as Olimpíadas de Londres. As coisas caminhavam muito bem nos primeiros 18 meses de projeto, com 45 pessoas capacitadas, algumas toneladas de lona destinadas corretamente e milhares de produtos desenvolvidos.

globo-65ew1bovfld1mcttvkh2_originalGLOBOProdutos Onda Carioca Rio+20 para Olimpíadas de Londres.

Até que uma reviravolta na direção da associação de moradores provocou a saída repentina da ONG do local. “Tivemos que interromper toda parte de formação profissional do projeto. Nos mudamos para um quitinete no Terreirão porque não tínhamos grana pra pagar o aluguel de um espaço maior. E concentramos nossos esforços na criação da escola de lona através da Praça do Futuro“, explica Júlio. O desafio era gigantesco. “Como acreditar em um plano tão audacioso em um momento que andamos vários passos pra trás?“, pondera Luciana Accioly, gestora do projeto Costurando. 

container 001Os containers Praça do Futuro que abrigariam a futura escola Onda Carioca

De fato Luciana tinha razão. Todo plano ONDA CARIOCA estava baseado em ideias nunca antes experimentadas. Já seria algo inédito fundar a primeira Escola de Moda, Costura e Design de Lonas do país e ainda  convencer uma instituição de prestígio como o Instituto de Design do SENAI/CETIQT a assumir uma posição de protagonismo no projeto. Agora imagina montar a escola em containers numa praça do Terreirão, praça esta totalmente abandonada?! Pra quem ouvia a história soava como um delírio.

FullSizeRenderLuciana Accioly, gestora do projeto Costurando

Pois a ONDA CARIOCA conseguiu. A ONG adotou na Prefeitura a praça Eurico Alencastro Massot, depois instalou no local containers doados por um amigo, em seguida iniciou a reforma do equipamento juntamente com recuperação da praça, preparou o projeto da escola, convenceu o SENAI/CETIQT a entrar no projeto, enquadrou proposta  na lei de incentivo cultural e finalmente conseguiu o apoio da LIGHT para patrocinar a iniciativa. Tudo isso em menos de 12 meses. “Foi superação total. A partir daí mobilizamos uma rede de parceiros, como a agência NOVA/SB, e mergulhamos no universo da lona“, vibra Luciana. 

IMG_20140712_150755774_HDRImagem do container pouco depois de concluída a reforma

Com início em outubro de 2014 e término em novembro de 2015, o novo Costurando tinha meta de formar 120 pessoas em Moda, Costura e Design de Lonas. Formou 65 pessoas.  O primeiro ciclo do curso de 3 meses teve uma preocupante taxa de abandono de 70%. A  alta taxa de evasão tinha a ver com a estratégia equivocada de ensino.Corrigimos a metodologia do curso para imprimir uma maior vivência prática dos conceitos e fomentamos dinâmicas coletivas com foco no desenvolvimento de coleções“, comenta Luciana. A mudança funcionou bem e no segundo ciclo do curso a taxa de abandono caiu para 40% e no último para 20%. As justificativas mais apresentadas de afastamento foram doença e questões profissionais, como novo emprego e mudanças de horários. 

IMG_20150116_075449652_HDRMudanças na metodologia melhoraram o desempenho do projeto

Já a inovação foi um dos destaques. “Houve uma profunda inovação no desenvolvimento de produtos de lona. Apesar do pouco tempo de curso, os alunos demonstraram enorme criatividade. Foram 36 de trabalhos magníficos, como as coleções Cápsulas, Rock in Rio e Rio 2016“, diz  Luciana. Para Jackeline, ex aluna do projeto, o curso foi algo inovador, demais, mudou minha vida“.

jackeline fotoJackeline

Totalmente gratuito, da inscrição à entrega do certificado de conclusão, o curso sempre teve lista de espera. Para celebrar a formatura, foram realizados eventos na praça com direito a exposição das coleções desenvolvidas pelos alunos e exposição fotográfica do dia a dia do curso. Muito além dos produtos desenvolvidos, os trabalhos em grupos despertaram maior sociabilidade, novos horizontes profissionais e uma autoestima mais elevada. As muitas trocas geraram aproximação e confiança. Quatro alunas se tornaram colaboradoras da Onda Carioca.  

20151113_200026Evento de formatura na Praça do Futuro.

 

Deu tudo certo. Somos muito gratos a CNseg, NOVA/SB, ao SENAI/CETIQT, a LIGHT, enfim, a todos que de alguma forma colaboraram pro sucesso do trabalho.  Apesar desse intervalo nas atividades, já que aguardamos uma posição da empresa pra continuidade do projeto, carregamos no peito a sensação do dever cumprido. Tenho certeza que vamos voltar com mais gás para os novos desafios. Quem sabe nos tornarmos uma escola de upcycling“, conclui Júlio. Alguém aí duvida?

Abaixo uma breve radiografia das avaliações do projeto Costurando 2014-2015.

 gráfico 1A

 gráfico 1Bgráfico 2gráfico 3gráfico 4gráfico 1

Rap de atitude

MC OZ 2

Por Júlio César da Costa

 

Diretamente da Rocinha, quem sobe no palco da Praça do Futuro na  estreia da Roda Cultural do Terreirão 2016, que vai rolar amanhã, dia 05, é Luis Rodrigues da Silva, mais conhecido como MC OZ. Com 27 anos de idade e um dos nomes mais respeitados na cena do Rap carioca, OZ  concedeu uma entrevista pro Blog da Onda pra falar da carreira, projetos sociais, sua visão de futuro do Hip Hop e muito mais. Dá um confere.

 

Blog da Onda | Você é cria da Rocinha? Fala um pouco da sua história na comunidade…

 MC OZ | Sou nascido e criado na Rocinha. Comecei a fazer rap por volta de meus 16/17 anos e desde então venho me aprofundado mais e mais na cultura HIP HOP, pesquisando muito pra poder exercer minha função de MC com o máximo de maestria que puder. Tenho vivência muito ativa na favela na parte de cultura desde então buscando levar o rap e a mensagem que eu trago ao máximo  de moradores da comunidade e levar pra fora da favela tb, levando o nome da Rocinha a todo canto que eu piso. Também organizo um evento na comunidade  chamado “Encontro de Ideias e Rimas” e tenho um projeto social que batizei de “Oficina Cultural Pincelando Rimas”.

Blog da Onda | Explica um pouco esses projetos paralelos à carreira do Rap…

 MC OZ | O encontro é baseado nas ideias dos primórdios das rodas de rimas…porém  observei q com tempo os valores se perderam e as rodas de cultura  começaram  ser roda de tráfico  e consumo excessivo de drogas, daí  eu decidi com meu mano M.Souza criar o encontro  pra promover cultura HIP HOP  na comunidade  da Rocinha.  No evento há batalha de bboys,  de mcs, discotecagem,  shows. Já trouxemos nomes como Marechal, RAPadura, Nocivo Shomon,  Ret, Gutierrez, Canetabeats e muito mais….na oficina  eu trabalho especificamente  com crianças e criei o projeto inspirado em outro projeto de um amigo hoje falecido  chamado Tio Lino, o projeto se chama “Troque uma arma por um pincel”, onde ele ensinava as crianças  artes plásticas  e as crianças  só  tinham q está  matriculadas no colégio  e estudando e se tivesse brincando de arma de boboteco  ou qualquer outro tipo de arma nos becos da favela tinha q trocar com ele por um pincel….com essa atitude o saudoso  Tio Lino conseguiu tirar algumas dezenas de jovem talvez de um futuro trágico…já  o meu projeto busca ensinar os primeiros passos do HIP  HOP  as crianças e construir músicas com eles sempre baseado nas coisas que passamos na comunidade.

Blog da Onda | Qual a periodicidade do encontro?

 MC OZ | Estamos parados desde outubro  se não me engano…a ideia inicial é todo mês  rolar…mas nem sempre é  possível…vamos tentar manter um calendário  de 3 em 3 no próximo ano por conta de muito trabalho previsto.

Blog da Onda | Qual o maior desafio pra fazer o encontro que, pelo que entendemos, tem o mesmo formato que uma roda cultural?

MC OZ | Desafio é conseguir recursos. Não conseguimos nada através de governo. O q conseguimos é  através do nosso dinheiro e de alguns comércios do morro.

Blog da Onda | Explica melhor essa parada das rodas perderem a essência da cultura Hip Hop…como você enxerga o papel das rodas?

 MC OZ | Perdeu a essência por não serem fiéis ao que pregam. Os apresentadores de algumas bebendo e fumando em demasia, as vezes incentivando o uso, o comércio  de maconha principalmente  por pessoas ligadas às organizações. Isso não é  HIP  HOP, pelo menos não  o que eu faço  parte. Acho q a partir do momento que pegamos o mic pra nos dirigir às pessoas, já  estamos  sendo exemplos…Vai dá gente ser bom ou mau exemplo. É  a realidade q muito cachorro grande só rap tem medo de escancarar. Todo mundo vê e não  fala q tá errado então  tá  compactuando pra essa porra chegar a esse ponto.

Blog da Onda | E o seu projeto social, como funciona essa interação com as crianças no aprendizado do Hip Hop e o que você percebe de transformação?

MC OZ | O projeto social, primeiro q é algo que eu me vejo na obrigação  de fazer como forma de retribuição à cultura HIP  HOP.  É prazeroso ajudar as crianças a descobrirem  as belezas que o HIP HOP faz e que é. Nada mais nada mesmo que uma terapia do bem, um estilo de vida, uma forma de protesto através da música, linguagem corporal, artes plásticas, e que em sua forma mais pura do seu elemento básico nos instruí a buscar conhecimento sempre. As crianças  adoram  a batida rolando e ver o “tio” fazendo free  e se arriscarem  a fazer. Eu adoro criança  então sou suspeito pra falar. Mas o rosto deles e os olhos brilhando quando percebem que construíram seu primeiro rap mesmo q sejam algumas míseras e simplórias  linhas, não  tem preço.

Blog da Onda | Mas o que efetivamente  consiste a ação social?

MC OZ | Tirar os mlk  da rua e ensinar algo legal a eles e o que de mais legal que eu tenho a oferecer eh o HIP HOP. Então o trabalho funciona da seguinte maneira: eu trabalho com crianças q leem e escrevem de preferências, mas algumas que não são alfabetizadas tb fazem parte por serem muito ativas. Eu primeiro converso com elas sobre algo que tem incomodado, tipo o calor na favela, a falta de luz, não tem água, não tem ventilador nem ar porque falta luz, a praia de São Conrado imunda e imprópria pra banho…mas porque? Porque não há saneamento básico adequado e o esgoto da rocinha todo vai pra praia etc etc…destrincho com eles um tema como este e daí começamos a construir uma música sabe cóe…

Blog da Onda | Porque o rap entrou na sua vida?

MC OZ | O rap entrou na minha pra me estabilizar, pra me fazer um bem e me ajudar a fazer e transmitir o bem pra outras pessoas. Ele entrou na minha vida através de ensinamento e respeito, e se transformou numa doutrina, num modo de vida disciplinar e que eu não consigo viver sem.

Blog da Onda | Quem são suas influências no rap?

MC OZ | Bom, são muitas, nacionais posso citar Ogi, Síntese, Racionais, MV Bill, Criolo, Marechal, Emicida, RAPadura, Gutierrez, Shawlin, Gabriel o Pensador, Pentagono, EZN, Familia Kponne, Nega Gizza e por aí vai..na gringa, Big Pun, Big L, B.I.G., Pac, Rugged Man, Mos Def, Busta Rhymes, Chali2Na, Termanology, Reks, Bone Thugs N-Harmony e por ai vai…

Blog da Onda | Como vc pesquisa pra fazer suas composições?

MC OZ | Pesquiso através de leitura, minha pesquisa se baseia em novas esperiências e novos vocábulos…de resto viver me basta pra escrever minhas músicas.

Blog da Onda | Fala um pouco da experiência do grupo “PensAtivus”…

MC OZ | Então PensAtivus foi ótimo na minha vida, com eles (GolBeats, M.Souza e D’Luanda) vivi alguns dos momentos mais épicos até hoje no rap, como por exemplo rimar no palco do Hutuz. Muito bom trabalhar com um cara estrangeiro e autodidata como o Gol, ótimo produtor, gênio forte como o meu, nos gerou alguns problemas de discussões na época porque ambos éramos muito pilhados em fazer o lance decolar…PensAtivus teve seu fim porque na época estávamos muito sem tempo pra administrar uma carreira que vinha se consolidando de maneira muito interessante mas ao mesmo tempo não nos gerava grana…tivemos que optar entre o sonho ou a realidade, eu e gol continuamos e formamos meu EP “Prus Verdadeiros” meu primeiro lançamento oficial, porém D’Luanda e M’Souza ambos com filhos infelizmente deram tempo com a música….mas pra quem acompanhou e conhece nosso job, estamos com o projeto de relançar as músicas antigas remasterizadas em umas novas esse ano de 2016. Aguardem.

Blog da Onda | Como avalia a importância das batalhas na construção da carreira no rap?

MC OZ | As batalhas são muito importantes porque é o primeiro palco que muitos se transformam em grandes mcs, pode ser um fator desinibidor, porém não acho que seja primordial batalhar ou fazer freestyle pra quem quer ser mc, o principal é o conhecimento do máximo de assuntos que pudermos absorver.

Blog da Onda | Como surgiu a coragem em 2006 pra fazer rap?

MC OZ | Coragem surgiu junto com a escrita, bem antes de começar a cantar já havia coragem e vontade de expor tudo que eu penso. O receio era de não apresentar algo à altura que agradasse quem ouvisse, mas isso é normal, ainda hoje sinto isso. No dia que me achar bom o suficiente pra não ter medo será o dia que realmente vou apresentar algo ruim.

Blog da Onda | Qual o maior ensinamento que o rap te trouxe?

MC OZ | Respeito à vivência de todos, à sapiência de saber distinguir um guerreiro que já viveu e passou muita coisa nessa vida e tá contando tudo isso daquele mentiroso que não tem vivência de nada e num passa de um talentoso contador de história. O rap me ensinou que o conhecimento é a chave pro sucesso, e que sem trabalho não há vitória, sem humildade não há respeito, sem honestidade não há triunfo e que nem todo aquele que bate nas tuas costas te chamando teu irmão quer ver seu bem, e que o rap prega tanto a união, precisa por essa união em prática pra crescer não só como movimento, mas como música mesmo, o lado comercial, saber transformar o underground genuíno em algo que ao menos nos sustente porque não tem condições de continuar a manter um emprego pra sustentar nossa arte.

Blog da Onda | Qual sua visão das UPPs?

MC OZ | É simplesmente um enfeite, que só é existe pra vandalizar com a comunidade, maltratando e amedrontando o morador, tirando a liberdade artística dos eventos das comunidades….enfim num faz nada do que propõe. Aliás polícia pacificadora que não age com nenhuma atitude pacífica.

Blog da Onda | A favor ou contra a redução da maioridade penal?

MC OZ | Contra.

Blog da Onda | A favor ou contra a legalização das drogas?

MC OZ | Da maconha a favor, e a favor da proibição de algumas bebidas alcoolicas.

Blog da Onda | Cidade de 2 extremos, pobreza contra luxúria, a minoria esbanjando todo o miolo…o q falta pro povo da favela reagir?

MC OZ | O que falta pra reação é organização…coragem e atitude temos de sobra, conhecimento pra reagir pode ser adquirido muito facilmente, é só querer e por a mão a obra. Falta mesmo organização pra conseguir mobilizar nossos semelhantes e partir pro arrebento.

Blog da Onda | Qual a importância das rodas culturais?

MC OZ | Então, a importância das que funcionam da maneira que se propõe uma roda cultural, é total pra poder disseminar a cultura HIPHOP da maneira que tem que ser…agora das outras que todo mundo sabe onde ficam e como funcionam mas se omitem pra isso, pode acabar que não faz falta. Só funciona como uma plataforma pra vender cerveja, cachaça e drogas.

Blog da Onda | Pretendemos futuramente abrir uma discussão sobre a criação de uma política pública decente de apoio à cultura Hip Hop…cite duas sugestões q entenda importante pro fortalecimento do Hip Hop carioca.

MC OZ | Incentivo com estrutura e ajuda em espécie para fomentar eventos culturais e projetos sociais que envolvam o HIP HOP. Abertura para artistas do HIP HOP em grandes eventos gratuitos que acontecem na cidade…sempre somos deixados de lados, queremos os mesmos direitos de exercer nosso trabalho para o grande público em grandes eventos patrocinados pelo governo que os do samba, pagode, rock, MPB, sertanjo tem.

Blog da Onda | Fale um pouco sobre seus atuais trabalhos e os futuros pra 2016?

MC OZ | Então, atualmente eu venho trabalhando no EP “Viagem Sonora”, produzido em parceria com o produtor paulista BASE MC BEATS, um dos integrantes de REFUGIAUDIO, e essa parceria nasceu quando no fim de 2014, fui convidado a participar do MANOS E MINAS, nesta viagem reavivei uma antiga amizade com o produtor e ele me convidou pra comparecer em seu estúdio pra produzirmos algo, o resultado foi tão satisfatório para os dois, que nasceram 7 faixas que se transformou no EP. Pra 2016 finalmente sairá da fornalha a MixTape V.I.D.A. (Voluntária e Integral Dedicação a Arte) com os 3 singles que já foram lançados (1º Pra Honrar Par. Nocivo Shomon, 2º Amor ou Ódio Part. LOCOmotiva, 3º Cidade), e o 4º e último single sairá no começo do ano, se chama “Não Preciso de Vocês” Part. Gutierrez e Carline Marques. Fora isso na MixTape ainda há part. do Shawlin, RAPadura em duas tracks, Slow da B.F., KID MC, Macarrão, Rodrigo Nonato, Juh de Paula, Rafinha BRAvoz e outros. Fora isso o C.A.S. (Coletivo Arsenal Sonoro) está de volta na pista, e de tudo correr bem, no primeiro trimestre do ano, sairá nosso primeiro single com videoclipe, o time modificou um pouco, onda da formação antiga só permanecem eu e M.Souza, os novos integrantes se chama: Carline Marques, Aldo ( DoLá), Willans Rapper, Sanna Lopes, Mateus Alves, Diogo Toscano, Marko de Paula e Dj Lyrio. Fora esses tenho um projeto com M.Souza que vamos por em prática chamado IMPACTO e por fim o re-lançamento das antigas músicas dos PensAtivus re-masterizadas e algumas supressas novas. Prometo que em 2016 haverá muito MC OZ pra vocês.

Blog da Onda | Pra fechar…um recado pra galera

MC OZ | Pra fechar peço que me sigam nas minhas redes sociais através de MC OZ ROCINHA E MC OZ OFICIAL na page do facebook, que sigam a page no face do Coletivo Arsenal Sonoro e de todos os artistas do Coletivo. E peço que prestem mais atenção nos artistas de rap da Zona Sul por inteira, pois a Zona Sul não se resume ao bairro do Catete e adjacências. Procurem por todos do C.A.S. Flip MC, Mercado Negro Mc’s, Família Zero Bala, Carta Na Manga, Versu G, AVQNK, Produto  Marginal, Bolt Mc, Guilherme Rimas, Dhamax MC, Sonder, Repper Fiell, Bolt Mc e muitoo mais!!! Então não se conforme só com que lhe é forçado a consumir, procure e tenha o prazer de descobrir que existem muitos artistas muito bons que infelizmente não alcançaram a expansão que merecem mas que tão na luta pra conseguir, e uma curtida, música ou vídeo compartilhado, um cd comprado ajuda demais na caminhada e faz parte da escalada. Obrigado, Rocinha agradece.

Vamos viver!!!

NAAN 2

Por Júlio César da Costa 

Amanhã vai rolar a última edição 2015 da Roda Cultural do Terreirão. Além do MC Magneto, quem sobe no palco da Praça do Futuro pra se apresentar é o rapper NAAN, que nesse ano lançou o álbum  “Viva Hoje –  Como é Bom Ser Jovem”, com 11 faixas e  participações de Liink, Luã Gordo, Luccas Carlos e muita gente boa. Mixação e masterização Caverna do Dragão. Batemos um papo com o talentoso rapper sobre carreira e os desafios pra quem tá no corre do Rap.

 

Blog da Onda | O que é humildade pra você?

NAAN | Você abaixar sua cabeça pra pessoas má intencionadas pisarem.

 

Blog da Onda | Chico Xavier era humilde pra você?

NAAN | Não conheço a história do Chico Xavier tão a fundo pra definir se ele era ou não.

 

Blog da Onda | O Hip Hop hoje tem humildade?

NAAN | No que eu convivo no Hip Hop tem máscaras, no plural, várias delas…mas falar de Hip Hop é injusto, porque eu vivo apenas o Rap, então não dá pra generalizar.

 

Blog da Onda | Verdade, o Rap então?

NAAN | Vale a resposta acima, substitua “hip hop” por “rap” e tá respondido rs.

 

Blog da Onda | Qual a essência do Rap pra você?

NAAN  | “Já to nessa porra de rap da antiga e aprendi que o importante é mensagem passada” Marechal.

 

Blog da Onda | O que as batalhas repercutiram na sua formação artística?

NAAN | Eu sou o que sou graças a batalhas, não falo de reconhecimento, falo de pessoa aprender sobre o Rap, fazendo-o, vivendo conheci muita gente, conheci muita coisa se eu pudesse batalhava ate hoje, mas…

 

Blog da Onda | Mas?

NAAN | Os cara desvalorizam os MCs de batalha, não levam a sério de repente pelo cara não ter um som na pista, quando na maioria das vezes as batalhas chamam tanta ou até mais atenção do que as atrações dos eventos.

 

Blog da Onda | Isso é uma contradição, no mínimo…batalhas são atrações espetaculares, criativas e divertidas…você é um exemplo de MC top nas Batalhas…é razoável abrirmos mão disso?

NAAN | É uma causa que não vale a pena a lutar, não sozinho…se eu reclamo do produtor do evento, ele me corta da próxima batalha e bota outro que vai correndo abanar o rabo de pavão.

 

Blog da Onda | Essa luta é de todos…batalhas chamam público…e batalhas boas chamam muito público…e isso chama dinheiro….você acha que o MC pode conciliar a sua carreira de MC foda de batalha e MC cantor de rap, sobretudo num cenário de boas premiações e caches?

NAAN | Não..ou faz um, ou faz outro…se você faz os dois, alguma coisa você não vai fazer direito e mais, hoje eu não batalho porque não acho justo com meu trabalho, depois de 3 anos de corre, chegar um mlk de 15 anos e querer falar algo sobre meu som numa batalha, saca?

 

Blog da Onda | Mas se o menor de 15 anos fizer isso você será capaz de ensiná-lo do contrário…o teu trabalho está profissional….então você é referência…pra mostrar caminhos, nas batalhas que vierem, inclusive de sangue…deixa o menó vir pra cima?

NAAN | Não acho justo cmg, e na real, é minha marra falando “você vai ter que correr mt ainda pra percorrer os caminhos que percorri”…então não acho justo, eu com um trampo consolidado disputar batalha de freestyle onde a meta é provar quem tem a melhor rima e uma hora ou outra surge a comparação: será que ele é melhor batalhando ou compondo?

 

Blog da Onda | Seja como for, se feito com amor e respeito, flui…mas quando você se descobriu no Rap?

NAAN | Em 2006, 2007, vendo batalha de mc…Emicida, Rashid…depois entrei pra um grupo com 3 amigos.

 

Blog da Onda | As batalhas vieram primeiro que o grupo?

NAAN | Na verdade não…comecei a batalhar no final de 2012, início de 2013…eu fiquei 3 anos afastado do rap, de 2009 a 2012.

 

Blog da Onda | Você conheceu as batalhas em 2006….criou um grupo….parou em 2009 a 2012…e depois começou a batalhar….porque não começou batalhar antes?

NAAN | Exatamente isso, porque não tinha onde, não existia cena na cidade, daí conheci a roda de rima da cantareira, que rolava aqui em Niterói.

 

Blog da Onda | Você é de Niterói, que bairro?

NAAN | Sou de São Gonçalo, Alcântara.

 

Blog da Onda | São Gonçalo tá quebrando tudo….a cena tá forte em SG?

NAAN | Defina forte.

 

Blog da Onda | Bons talentos sendo revelados….público crescente…

NAAN | E…? Quem tá ganhando o que com isso? Nada.  Tem 1 evento a cada 2 meses e mesmo assim é com atração de fora…que crescimento é esse?

 

Blog da Onda | Porque isso acontece?

NAAN | Por que isso acontece? me fala você, tb não sei…

 

Blog da Onda | rsrsrs… minha referência de evolução tem a ver com roda cultural, as batalhas..a vitória do Orochi, por exemplo…a visão dos eventos fechados realmente não tenho….por isso te perguntei antes….e se as rodas tivessem poder de fogo para pagar bons cachês e boas premiações pra batalhas?

NAAN | As rodas não têm apoio de ninguém, a secretaria de cultura caga na nossa cabeça, não dá um real, a roda poderia ser semanalmente dentro do SESC, mas cadê o fortalecimento pra cultura?

 

Blog da Onda | E olha que o SESC promove várias ações de Hip Hop….já formalizaram o pedido de apoio para realização da roda?

NAAN | Não faço parte da organização da roda, mas o Gordo corre atrás dessas fitas sempre.

 

Blog da Onda | Semana passada ouvimos na Funarte o relato do Gordo quanto as dificuldades para fazer a roda…o cara é guerreiro….

NAAN | Demais…correira pura

 

Blog da Onda | Estamos pesquisando o orçamento do carnaval (algo pra lá de 20 milhões), do funk para entender um pouco a posição de prestígio do Hip Hop….mas com certeza se as rodas tivessem um apoio financeiro decente muita coisa aconteceria não?

NAAN | Sim irmão…conhece o duelo de mcs que acontece em BH? Imagina se toda roda do RJ tivesse esse apoio e essa estrutura?!

 

Blog da Onda |Você que já esteve lá, como é essa estrutura?

NAAN | É o mínimo que a gente merece p fazer o bglh bem feito.

 

Blog da Onda | Me diz o que é o mínimo e o que você considera ideal?

NAAN | Caixa de som pesada e um mic bom que dê pra ouvir.

 

Blog da Onda | E o ideal para um MC que cai pra dentro da batalha e aquele que já está em outra fase, produzindo rap?

NAAN | Todo mc tinha que ter um homestudio, saber produzir seu próprio trampo homestudio com bons equipamentos, conseguir fazer umas batidas boas e mixar/masterizar sozinho, mas nem todos tem essa instrução/condição.

 

Facebook : https://www.facebook.com/NaanMC/?fref=ts

Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=IuQIZUayMrU&list=PLOBjP7VD1EKycNgGeiLZoapq_PLYTOLEF

 

Magnetizando consciências através do Rap

Magneto

Por Júlio César da Costa

 

No Universo Marvel, Magneto é o nome do personagem que tem poderes de manipular campos magnéticos e controlar qualquer tipo de metal. Utiliza um capacete que o protege de tentativas de invasão do seu cérebro. É, sem dúvida, um dos mutantes mais poderosos, com alto nível de inteligência. No universo do Rap carioca também temos o nosso Magneto, só que em vez de metal, o seu magnetismo serve pra conscientizar mentes e corações. Com 21 anos, Carlos Magno ou MC Magneto sobe ao palco da Praça do Futuro na próxima Roda Cultural do Terreirão, que vai rolar no dia 01 de dezembro. E como de costume batemos um papo maneiro para o Blog da Onda.

 Blog da Onda | Porque Magneto?

 Magneto | Vem da época da escola, acharam que tinha alguma ligação com meu nome, por ser Magno.

 

Blog da Onda | Porque o Rap?

Magneto | Desde novo escutava Racionais, e por ser morador de comunidade cresci ouvindo funk, e assim que comecei a rimar, alguns amigos que curtiam rap começaram a me mostrar as batalhas e gostei, depois de ouvir “Desculpa Mãe” do Facção Central, entendi que tinha achado o jeito de me expressar e de tentar cantar tudo que eu vivia aqui dentro da favela.

 

Blog da Onda | Qual favela você vive?

Magneto | Moro no Complexo do Lins, na favela da Árvore Seca.

 

Blog da Onda | Fala um pouco do lugar…

Magneto | Aqui é um lugar tranquilo na maioria das vezes, como toda favela, tem dias de tiroteio, mas por ser nascido e criado aqui já é coisa que estou acostumado, aqui ficou “conhecido” do grande público pelo baile do pistão, hoje em dia aqui tem UPP, o que não mudou muita coisa da época em que tinha tráfico.

 

Blog da Onda | Mudou o que depois da UPP?

Magneto | Basicamente nada, ainda existe tráfico, só que é minimamente encoberto.

 

Blog da Onda | E a sensação de segurança, melhorou?

Magneto | Não, sempre me senti seguro aqui, sendo bem sincero com a UPP talvez tenha piorado, já aconteceu de acertarem criança em troca de tiros, o que acaba inflamando revolta.

 

Blog da Onda | E como transformar essa revolta em combustível de mudanças, pela conquista de direitos?

Magneto | Eu tento através da música, como digo em Soldado Sem Face, “Dar voz a quem não tem rosto, dar rosto a quem não tem voz”, as vezes a revolta é motivada só por “Falta de atenção”, eu tento mostrar que aqui também tem gente de bem, e que a sociedade, os governantes tem que ver que morador de favela tem os mesmos direitos e deve ter as mesmas oportunidades de quem mora na Zona Sul.

 

Blog da Onda | E como nasceu essa sua consciência da música como instrumento de diálogo, de motivação e inspiração?

Magneto | Sempre me inspirei em Racionais, MV Bill, Facção Central, que sempre tiveram essa linha de pensamento e de expressão, e vendo que a grande mídia realmente ignorava as situações que ocorrem aqui, e que favelado só ganha capa de jornal como morto ou procurado, me faz ter mais vontade de mostrar que não é só isso.

 

Blog da Onda | E você acha que sua mensagem tá ecoando? Como avalia a cena do Hip Hop, especialmente do Rap na cidade?

Magneto | Acho que as pessoas gostam das ideias, já ouvi de pessoas que admiro muito que minha letra é boa, que as ideias são boas e isso da bastante estímulo. Em relação à cena acho que tem ótimos MCs, tem muita gente que é muito boa e não tem tanto espaço, e acho que alguns que têm mais espaço não são tão bons assim. Acho que no RJ os Mcs e grupos ainda não entendem que seria bom todos terem espaço, ainda a aquela coisa da competição, e essa babaquice que chamam de Rap Game, onde só quem já tá lá em cima tem espaço.

 

Blog da Onda | Quando você falar ter espaços,  a que você se refere?

Magneto | Eventos, visibilidade, entendo que isso só vem com trabalho, mas muita gente trabalha há muito tempo, mas só quem faz parte desse “Rap Game” ou canta o som mais comercial tem espaço nos maiores eventos, repercute dentro da mídia do próprio Rap, há muitos sites de divulgação de Rap que só da espaço pra quem já é conhecido.

 

Blog da Onda | Talvez esse estilo de Rap cative mais as pessoas e isso é natural…somos uma sociedade muito estimulada pra esse tipo de coisa .. mas como o Rap consciência pode romper essa barreira e se conectar com públicos de massa?

Magneto | Acho que pouco a pouco podemos romper essa barreira, tenho exemplos dentro do próprio Rap atualmente, acho que só com trabalho que a mensagem vai ser reconhecida.

 

Blog da Onda | Mas vislumbra como isso vem acontecendo? E como podemos intensificar?

Magneto | Me baseio em alguns caras como o Kayuá, Sant, que fazem Rap de mensagem e já tem um espaço…acho que cada um deve divulgar aquilo que acha bom, e acho que os sites de divulgação de Rap devem se dar a oportunidade de pelo menos ouvir os sons para julgar se vale a pena a divulgação e não se fechar a apenas um estilo de Rap.

 

Blog da Onda | E as rodas culturais nesse contexto, qual importância?

Magneto | Acho que a maioria das rodas faz seu papel, abre o espaço, tendo uma estrutura legal com os equipamentos bons.

 

Blog da Onda | Todas funcionam com muita luta e resistência. Como você imagina a roda do futuro, com recursos, estrutura?

Magneto | Acho que a Roda do Terreirão mesmo da última vez que eu fui oferecia algo que muitas não têm, que é um profissional para cuidar do áudio, acho que a roda do futuro não precisa de muita coisa não, acho que tendo o espaço, microfone e som que dê pro Mestre de Cerimônia mostrar seu trabalho já é o bastante e isso pode ser no presente já.

 

Blog da Onda | Referimos a boas premiações pro MC q batalha, cachês justos pros shows, suporte de água etc..

Magneto | Ah em relação a isso, sei de uma iniciativa que acho bem interessante, que é a da Roda do 50 Cents, que cobra um valor simbólico de 0,50 centavos e esse valor vai pro campeão da batalha, acho que vale a pena levar pra mais rodas, suporte de água acho que é o básico, e acho que cachê é uma coisa a ser discutida, porque sabemos que a maioria das rodas não tem nenhuma colaboração externa, então nem sempre tem como. Acho que talvez o que mais incomode Mc de batalha seja o descaso de algumas rodas com o horário das batalhas, acho que isso que devia ser visto.

 

Blog da Onda | Verdade, combinou um horário deve ter atenção, mas também o MC tem que entender as perrengues que quem organiza enfrenta…zero apoio do poder público…ao contrário, ainda sofrem perseguição…cobrar a entrada, mesmo que simbólica, é uma maneira de se sustentar, embora a essência de uma roda seja o seu livre acesso, rua, praça…e se a prefeitura, o estado parassem de perseguir as rodas e ainda investissem um recurso para o funcionamento das rodas na cidade, caberia o cachê?

Magneto | Acho que sim.

 

Blog da Onda | Desde quando você faz Rap?

Magneto | Desde 2013.

 

Blog da Onda | Além de “soldado sem face” e “ciclo vicioso”, algum outro trabalho gravado?

Magneto | Tenho o próximo trabalho que será lançado com videoclipe que se chama “Se Foi” e junto com a Toca dos Ratos que é a banca que faço parte estamos trabalhando em um EP.

 

Blog da Onda | Fala um pouco dessa música “soldado sem face”, qual foi a inspiração?

Magneto | “Soldado Sem Face” surgiu de um pensamento de que muita gente daqui do morro morria sem “ter um rosto” sendo só mais um, e a música traz exatamente essa temática, de que no morro tem bandido mas também tem gente brilhante que merece ser vista, que devemos começar a olha pros nosso semelhantes como iguais.

 

Blog da Onda | Porque magneto tá jurado e magno é seu algoz?

Magneto | Isso faz parte de um conflito interno, é uma metáfora, de uma época em que eu tava com problemas e pensando em parar de cantar.

 

Blog da Onda | Pode falar do conflito e como o Rap te ajudou a encontrar caminhos?

Magneto | Foi uma época que eu tava vindo morar sozinho, tava um pouco afastado do meu filho e meio sem esperanças até com o próprio Rap, depois com a ajuda do pessoal que trabalha comigo, das pessoas que sei que me querem bem, tudo se encaminhou e voltei a ser o que era.

 

Blog da Onda | O Rap faz a pessoa mudar sua visão de mundo? O que o Rap mudou em você?

Magneto | Acho que faz sim, acho que muita coisa que eu reclamava o Rap faz eu mudar minha visão, em sons de alguns amigos sempre reflito, me fez ter mais consciência, ver que as vezes 1 pessoa falar por várias.

 

Blog da Onda | Qual maior barreira pra quem tá na luta do Rap?

Magneto | Acho que é chegar às pessoas, o Rap ainda é um som discriminado, taxado como de maconheiro, de bandido, não toca tanto na rádio ou na Tv, no Brasil é difícil viver de Rap, mas a gente ainda acredita e luta por isso.

 

Blog da Onda | Como mudar esse estereótipo pra uma imagem positiva, do lado criativo, irreverente e politizado dessa cultura?

Magneto | Acho que vai muitos dos próprios integrantes da cultura, grande parte ainda exalta o lado de ser usuário o que não descrimino, mas acho que devemos mostrar além disso, mostrar que tem muito conteúdo aqui, muitas criticas que a sociedade devia se atentar mais.

 

Blog da Onda | A favor ou contra uma política de legalização  das drogas?

Magneto | A favor da legalização da maconha, apesar de não ser usuário, entendo que isso tiraria boa parte do poder do tráfico e levaria para o governo, acho que apenas deve haver um controle sobre a venda.

 

Blog da Onda | E redução da maioridade penal, contra ou favor, porque?

Magneto | Contra, totalmente, cadeia não é solução, o certo seria investir em escola, na cadeia eles só vão aprender a ter raiva da sociedade.

 

Blog da Onda | E esse trabalho com a Toca dos Ratos, fala um pouco pra gente.

Magneto | Então, a Toca é minha família no Rap, o Leaf é meu DJ em shows e um dos meus beatmakers, e o Big é quem faz minhas dobras, meu beatmaker, ta começando a fazer clipes também, são meus irmãos, já tive um grupo com o Big, hoje gravo no Home Estudio deles e eles fazem o trabalho de Mixagem e Masterização.

 

Blog da Onda | O que te desagrada hoje no Rap?

Magneto | O fato da ênfase estar grande nas drogas, como se exaltassem você usar cocaína, a também exaltação dos sons na conotação sexual, e o fato de bunda balançando ser mais repercutido do que uma ideia que pode instruir as pessoas.

 

Blog da Onda | Suas referências no Rap?

Magneto | Racionais, Emicida, Rashid, Kayuá e Sant.

 

Blog da Onda | Um recado final pra galera

Magneto | Queria agradecer o espaço e dizer pra rapaziada selecionar bem o que escuta, é bom ouvir quem já tá lá em cima nos eventos mas vale a pena colar nas rodas culturais e fortalecer quem tá começando agora.

 

facebook: https://www.facebook.com/MagnetoSSF/?fref=ts

música “Ciclo Vicioso”: https://www.youtube.com/watch?v=SfGG-jbDNFU

música “Soldado sem face”: https://www.youtube.com/watch?v=eknLuynsDL8

Rap muito além da rima

NDR 1

Por Júlio César da Costa

Suét, Ras, Leleco e Black formam o grupo de Rap NDR. Diretamente da Baixada Fluminense, o grupo se apresentou na última Roda Cultural do Terreirão, que rolou no dia 03 de novembro. Com alguns singles lançados na internet, uma música com clipe e o EP “Mesclando Sentimentos”, o NDR surgiu em 2011 e busca sempre diversificar e inovar a cada trabalho lançado. Batemos um papo rápido com essa rapaziada talentosa.

 

Blog da Onda | Porque NDR?

NDR | O nome no início era Noiz da Rima e foi criado quando tínhamos uns 13,14 anos. Resolvemos abreviar pra fazer uma parada mais séria, então surgiu NDR.

 

Blog da Onda | Desde quando vocês ouvem Rap e  como surgiu o interesse?

NDR | Praticamente desde que somos crianças, Black já fazia fresstyle e era amigo do Ras, Suét começou fazendo música sozinho, e conheceu o Ras, aí marcamos uma reunião a fim de todos se conhecerem, então surgiu a ideia do Suét entrar pro grupo, logo vimos que precisaríamos de algum Dj e então convidamos o Leleco.

 

Blog da Onda | E quais foram e são as influências musicais?

NDR | O rap, mpb, funk também…a vontade de todos era fazer música e o rap foi algo que nós cativou, foi amor a primeira vista, desde pequenos rs

 

Blog da Onda | Porque?

NDR | Porque sempre gostamos de ser livre nas letras e o rap traz isso, a liberdade de expressão.

 

Blog da Onda | Mas toda forma de fazer arte, cultura é uma forma de expressão….o q realmente  tocou vocês no rap?

NDR | Na real sempre gostamos do estilo do flow, as batidas sempre nos atraíram, além das mensagens das músicas e nos identificamos facilmente com o rap. Foi algo de sentimento mesmo, a forma de expressar o sentimento através da arte, através do rap, é algo incrível, o que toca no ouvido das pessoas, são os nossos sentimentos, é a nossa alma e coração ali em cada letra…

 

Blog da Onda | Quais as influências do NDR no rap?

NDR | Geração old school é a nossa grande influência, quinto andar, marechal, shaw, sabotage, subsolo, racionais, Gabriel o pensador..

 

Blog da Onda | Quail a maior dificuldade pra quem tá no corre do rap?

NDR | Falta de investimento, difícil aparecer alguém para ajudar quem tá começando e também os eventos fechados que não dão a oportunidade para rapaziada nova, preferem um famoso que toque apenas 30 minutos do que colocar 4 novos grupos que custe às vezes até menos, para fazer um show maior e também falta valorizar os grupos bons, não é porque são desconhecidos que são ruins.

 

Blog da Onda | Qual a importância das rodas culturais na cena do hip hop?

NDR | Ela é a melhor forma de propagação da cena do hip hop, não só do rap mas do hip hop também, abre espaço para b-boys, djs e pra quem quiser mostrar sua arte.

 

Blog da Onda | Eventos fechados visam grana, casa cheia etc..esse papel de propagação não seria das rodas culturais?

NDR | As rodas culturais os organizadores querem artistas que passem alguma mensagem, músicas com conteúdo. Sem desmerecer os eventos, mas o que vemos é que ninguém tá ali pra captar uma mensagem, mas só curtir, o importante ali é a grana, os organizadores destes eventos visam muito isso. Sabemos que a roda precisa de dinheiro pra bancar a parada, precisa de uma renda, a roda mira bem mais que só dinheiro, a maioria da galera tá ali pra prestar atenção, aprender com as músicas, muitas coisas a gente aprende ali, não que um evento fechado não possa buscar isso também, mas a roda busca bem mais o público pra captar o que o MC tem a dizer.

 

Blog da Onda | Além das rodas culturais, qual outra forma que vocês enxergam para dar visibilidade aos artistas da nova geração?

NDR | Entrevistas como essa já dá uma visibilidade, muitos leitores vão procurar conhecer o som e assim levar aos amigos também, assim como as rodas também são importantes para visibilidade, os canais independentes que cobrem as rodas  também fazem um belo trabalho para que artistas novos possam ter uma visibilidade maior.

 

Blog da Onda | Se vocês fossem prefeito por um dia, o que fariam pra fortalecer a cultura hip hop na cidade?

NDR | Investir mais nas rodas culturais, dando lugar para que o evento possa rolar da forma necessária, fortalecer os equipamentos também para ficar ainda melhor, e legalizaria as rodas sérias.

 

Blog da Onda | Um recado pra galera

NDR | A gente tá quieto mas não estamos parados, estamos trabalhando em músicas novas, com novas visões, pretendemos lançar uma sequência de clipe, estamos trabalhando o dia todo mesmo que não pareça, então pra quem acompanha o trabalho fica ligado na página do facebook, no twitter e instagram também, que breve tem algo novo.

 

facebook: https://www.facebook.com/420NDR/?fref=ts

youtube: https://www.youtube.com/watch?v=gwI7lGHUQpQ&list=PL3mI0hWdsdi1RRT_Jb7vio5jqaZRrYP63&index=1

O Rap como escudo pras batalhas da vida

 

canetabeats

Por Júlio César da Costa

Essa entrevista poderia se desdobrar em muitas outras. Assunto não falta pra conversar com o Canetabeats. Rap, Terreirão, Roda Cultural…mas o que interessa aqui é conhecer um pouco mais esses dois camaradas muito guerreiros e extremamente talentosos, moradores do Terreirão, que vêm fazendo um trabalho de qualidade através do Canetabeats. Batemos um papo com Peu e Btt sobre o começo dessa carreira promissora, os desafios, frustrações e a satisfação de lançar um trabalho feito com muita dedicação e suor nessa luta contínua do Rap. Dá um confere.

Blog da Onda | Falam um pouco do grupo, como e quando surgiu o Canetabeats…

 Canetabeats | Canetabeats surgiu no início de 2011, naquela época era só um grupo de amigos fazendo rima por gostar. Peu, Btt, Berg, e Dan….logo depois Berg e Dan pararam e hoje Canetabeats é o Peu e Btt.

 

Blog da Onda | E como surgiu o interesse de fazer rimas?

Canetabeats | Diferentes motivos, quando Peu teve a ideia de criar o grupo, Btt já fazia Rap e tinha umas duas ou três músicas escritas. O interesse do Peu, que já ouvia Rap desde os 7, 8 anos, veio por meio das batalhas de mc’s.

 

Blog da Onda | Tanto o Peu quanto BTT batalhavam?

Canetabeats | Não. Desde o início do grupo só o Peu foi MC de batalha.

 

Blog da Onda | Vocês sempre moraram no Terreirão? Como surgiu essa amizade de vocês?

Canetabeats | Btt veio pra cá pouco tempo depois de nascido, já o Peu é nascido e criado aqui sim. A amizade veio por meio do convívio do Btt com os tios do Peu, que na época tinham uns 17, 18 anos, e Btt tinha seus 12 ou 14, e Peu entre 9 e 10 anos.  Andávamos o tempo todo com os tios do Peu, então automaticamente sempre teve amizade e respeito entre nós. Inclusive Btt foi um dos primeiros (se não o primeiro) da nossa área a ouvir Rap, ele que chegava com os cds do tupac, racionais, mv bill entre outros, e emprestava pros tios do Peu ouvir, e por meio disso o próprio Peu foi ouvindo também.

 

Blog da Onda | Como as batalhas influenciam na formação musical da pessoa?

Canetabeats | Isso é relativo. Levando em conta que a maioria das batalhas que existem é Batalha de sangue, cada um absorve como bem entende. No caso do Peu a batalha ajudou a perder a vergonha de tá ali na frente do público, ele ficou com mais disposição de botar a cara em qualquer lugar se sentindo em casa, e aprendeu a respeitar o espaço de cada um, inclusive do “oponente” no caso das batalhas. Acreditamos que se a maioria das batalhas fossem de conhecimento como a que o mc marechal criou e organiza, formaríamos mais mcs vitoriosos, com bons fundamentos fincados nas raízes e menos mcs que só agridem o próximo dentro e fora do rap.

 

Blog da Onda | Então acreditam q a batalha contribui mais pra atitude musical que a formação em si? Atitude no sentido de perder a vergonha, encarar o público etc…

Canetabeats | Depende.. se for batalha de sangue, acreditamos que só ajuda o mc  perder a vergonha e ganhar nome no meio das batalhas. Caso seja batalha de conhecimento, acreditamos que contribui sim pra formação pessoal na mesma proporção que as lições aprendidas em casa e na rua.

 

Blog da Onda | Quanto mais o MC melhorar o seu vocabulário melhor rimas faz…mas essa busca não deveria ser independente da batalha ser de sangue ou temática?

Canetabeats | Voltamos a resposta anterior, cada um absorve como bem entende. Sempre preferimos batalhas de sangue, apesar de admirar as batalhas de temas. Porém, no caso do Peu, que batalhava, ele já tinha sua formação pessoal e ideológica bem estruturada, então eu só precisava perder a vergonha, e se enturmar com a rapaziada que tava no mesmo corre que nós.

 

Blog da Onda | As batalhas podem ser vistas como um degrau na carreira do MC? E como ocorre essa transição das batalhas para uma carreira musical?

Canetabeats | Sim…com certeza podem ser vistas assim. É super importante um mc iniciar nas batalhas. Sobre a transição, o Peu parou de batalhar porque tava ficando muito fominha de batalha, a ponto de querer tá em todo tipo de batalha e deixar os trabalhos do grupo em segundo plano. Até que se deu conta disso e começou a parar de batalhar por achar que já tava no momento de dar uma direção aos trabalhos do Canetabeats.

 

Blog da Onda | Batalhas viciam?

Canetabeats | Qualquer parada nesse mundo vicia quando você se sente bem fazendo aquilo. Com a batalha não é nada diferente.

 

Blog da Onda | Como é o processo de produção das suas músicas?

Canetabeats | Depende muito do momento. Têm músicas que saem as letras primeiro, depois os beats. Há outras que saem os beats primeiro, depois a letras. E têm aquelas que saem os dois juntos. Depois é estudar o conteúdo pra ver se não tem nada que possa ser feito melhor, cair pro estúdio, gravar,  e aguardar o Suarez mixar e masterizar o que foi capturado.

 

Blog da Onda | Quanto custa em média pra gravar uma música, da compra do beat até a gravação, mixagem e masterização?

Canetabeats | 100, 200 ou 300 reais cada beat…170 captação, mixagem e masterização (No Qg do Suarez)…entre 270 e 470 por faixa dependendo do estúdio que você tá trabalhando as músicas.

 

Blog da Onda | Quais as influências musicais do Canetabeats dentro e fora do rap?

Canetabeats | Fora do rap: Oswaldo Montenegro, Di melo, Milton Nascimento, Bezerra da Silva, Adele, SOAD,  O Rappa, chimarruts, entre outros mil… Dentro do rap é impossível falar muitos, até porque é muita coisa…Mas vou falar de quem tem sido influência atual, Síntese, Rashid, Shawlin, Marechal, Mv Bill, Eduardo Ex Facção Central, Emicida, Flora Matos, Sabotage e etc etc…

 

Blog da Onda | Vocês acabaram de lançar a mixtape “Você está sendo manipulado”. Fala um pouco desse projeto musical e a expectativa de vocês…

Canetabeats | A mixtape “Você está sendo manipulado” é, antes de tudo, um grito libertador. É aquela última gota de paciência, é a ênfase à insatisfação e revolta com toda injustiça que ocorre vindo de quem tem “TUDO ($)” contra quem não tem “NADA”, inclusive conhecimento sobre seus próprios direitos que é o mínimo que cada um de nós deveria ter. Apesar da evidência na mixtape ser os ataques contra o poder público, a mix é bem diversificada. Na metade da mixtape demos um determinado espaço pra falar da importância da união dentro do R.A.P. na faixa “Mais União”, da necessidade do amor na faixa “Nós 2 somos 1” e do quanto amamos nossa origem carioca, na faixa “Cidade Maravilhosa.” Essa mix é o nosso primeiro projeto lançado, estava sendo trabalhada desde o início de 2012, e tem todas as faixas gravadas/mixadas/masterizadas no QG DO SUAREZ. Capa feita por MALDITO KI HAP que também participa da última faixa da mix ‘Sentimentos Mortos’ e todos os lyric vídeos produzidos por GUILHERME TPIRES, que também é o responsável pela produção de todos os videoclipes que temos lançado. Todos os beats produzidos por mim, exceto o 12° que é gringo, e o 16° que conta com a produção de Jeff Beats. Participações: Suarez, Kayuá, Berg, Sobs MargiNaleda, Liink, Júlio PlayOut, Bruno Nadav BN, Jackson Antunes, Rz SPV, Thiago Akill, Flip e Maldito Ki Hap.

 

Blog da Onda | Um trabalho que durou quanto tempo pra ser produzido?

Canetabeats | 3 anos.

 

Blog da Onda | “Mais união menos intriga, o Rap é um só, somos uma família”…o que falta pro Rap ser realmente uma família?

Canetabeats | Falta parar de ver o outro mc/grupo como inimigo. É como falamos nessa própria faixa “Na humildade um passo atrás do outro, não tô pra ser taxado de escroto. Não confunda se valorizar, com desvalorizar os outros. É Rap atacando Rap? ai que tá o problema…”

 

Blog da Onda | Mas se “o valor da união requer confiança”…como construir essa confiança?

Canetabeats | Confiança se constrói dando a cara a tapa, só dá pra saber quem é quem e quais são as intenções convivendo com as pessoas. É como o Btt diz no complemento dessa frase “demonstra vontade (de ter minha confiança) que eu demonstro esperança (de confiar em você).”

 

Blog da Onda | Como é isso “dar a cara a tapa”, como é demonstrar querer a confiança de alguém?

Canetabeats | A partir do momento que você confia em alguém você tá dando a cara à tapa levando em conta que você tá correndo o risco de lidar com um falso que se faz de irmão enquanto precisa de você. Demonstrar querer a confiança é tá ali, sempre no nosso meio, buscando espaço e atenção da gente e de quem tá sempre com a gente.

 

Blog da Onda | Quando vocês falam “que vão morrer buscando a essência”, qual é a essência do Canetabeats?

Canetabeats | A essência do Canetabeats é trazer pra dentro da nossa música questões/fatos/acontecimentos que consideramos de grande importância serem debatidos como “Filhos do Abandono, O coração de uma mulher, Mais União”, combatidos como na “Mensagem Subliminar”  ou simplesmente agradecidos como na “Cidade Maravilhosa e Nós 2 Somos 1”.

 

Blog da Onda | Quando vocês falam que encontraram no rap o amor que buscou nas pessoas significa dizer q desistiram do amor nas pessoas?

Peu | Isso não é nada mais, nada menos que uma frustração pessoal no amor. Refere-se a uma falta de sorte nos relacionamentos e em determinadas amizades as quais dei maior valor e não agiram reciprocamente.  Não significa que eu não ame mais muito menos que não eu não tenha bons amigos. O fato é que pra todo efeito o rap sempre tava ali.. nos momentos de dor, angústia, desespero, p rap tava lá.  Nos momentos que absolutamente ninguém tava ali pra me apoiar, o rap tava.

 

Blog da Onda | O Rap cura feridas e frustrações?

Peu | Falo somente por mim.. curou feridas e frustrações sim. Tem uma frase que se eu não me engano é do 3030 que diz “Hoje o sofrimento virou poesia”

 

Blog da Onda | Se os governos estão pouco se fudendo vendo o povo se matar,  em que direção dar um passo à frente pra mudar?

Canetabeats | Em primeiro lugar pensar mil vezes antes de votar, estudar bastante sobre o candidato escolhido pra ver o que ele já prometeu e o que cumpriu. Isso já é um bom começo, tem muita gente dando votos em troca de uma cesta básica.. entendemos a necessidade, mas esse certamente é um dos motivos que nos condenam a mais 4 anos de sofrimento. Dar uma resposta como uma “verdade absoluta” do que seria a saída pra toda essa corrupção é utopia.  São muitos núcleos, muita coisa envolvida, quando você pensa que sabe muito, vê que não sabe um terço do que tá sendo roubado diariamente, muito peixe grande envolvido. É como falamos na música “Posso ser sincero?” “Estamos todos no inferno, não à solução (enquanto)…Não conhecermos os problemas, o por que, e a dimensão desses problemas.”  Solução pra isso só viria com bilhões gastos de forma muito bem organizada, uma grande vontade politica, com um governante de alto nível no comando.

 

Blog da Onda | A música Cidade Maravilhosa traz um swing bem diferente das demais e uma letra de exaltação à nossa cidade…exceção à regra ou vem mais novidades por aí?

Canetabeats | A Cidade Maravilhosa é a faixa que mostra bastante a cara do Rio, e a gente queria isso também dentro do cd. Não foi exceção não. Estamos querendo experimentar coisas novas dentro do próximo cd e nada impede de ter um novo misto de rap e samba.

 

Blog da Onda | Como vocês vêem a cena do hip hop daqui a 5 anos?

Canetabeats | A única certeza é que mais portas estão se abrindo, consequentemente o hip hop ganha mais espaço.

 

Blog da Onda | Vocês são do coletivo que produz a RCT. Quais os desafios pra fazer uma roda e o que essa experiência ajuda na carreira do grupo?

Canetabeats | Na Roda Cultural Do Terreirão o único desafio é a divulgação. Apesar de lutarmos bastante, é a única parte que pode e deve melhorar. Estrutura, equipe e união acho que hoje a gente tem de sobra. Ajuda no contato direto com a nossa própria comunidade, ver as crianças parando na rua perguntando se no próximo sábado vai ter batalha é uma parada gratificante.

 

Blog da Onda | Como o rap muda a vida das pessoas?

Canetabeats | Isso vai de pessoa pra pessoa… no nosso caso o rap fez enxergar uma nova alternativa de vida, fez ter o pensamento que expomos na faixa “Instrumentos da Rua”… “Nascemos pra ser vencedores na empresa chamada vida Só linha de frente na fábrica da cabeça erguida.”

 

Blog da Onda | Um recado final pra galera…

Canetabeats | É só o começo, a luta é contínua.

 

Facebook Canetabeats: https://www.facebook.com/Canetabeats?fref=ts

Canal Youtube Canetabeats: https://www.youtube.com/user/Canetabeats

O plantador de consciência

 

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Por Júlio César da Costa

 

Mais um jovem revelação de Rio das Pedras sobe no palco da Praça do Futuro pra se apresentar na Roda Cultural do Terreirão, que vai rolar nesse sábado, dia 10. Paulinho Fernandes, mais conhecido como Emiciente, tem 19 anos e uma enorme sede de vencer na vida através do Rap consciente, aquele capaz de mudar vidas,  que propaga amor e poesia. Trocamos uma ideia sobre as dificuldades de fazer cultura em Rio das Pedras, os sacrifícios para desenvolver seu trabalho na música e muito mais. Dá um confere.

 

Blog da Onda | Como tá a vida?

Emiciente | Correria irmão, trabalho, colégio, rap…tá girando em torno disso a vivência.

 

Blog da Onda | Vivência que nossos governos poderiam facilitar né não?

Emiciente | Com certeza, sem sombra de dúvidas, poderia facilitar em todos os sentidos..

 

Blog da Onda | O que mais te deixa indignado no dia a dia?

Emiciente| Ignorância e a falta de compaixão.

 

Blog da Onda | E o que essa falta de compaixão tem causado no cotidiano?

Emiciente | Violência, descaso, sofrimento alheio, abandonos familiares…o “mundo” navega sem destino;

 

Blog da Onda | Rio das Pedras sofre por quais motivos?

Emiciente | Opressão, vejo que é uma comunidade enorme em números, mas é um gigante sem voz…

 

Blog da Onda | Quem oprime e porque não reagem?

Emiciente | Milícia né mano, a favela é controlada por caras que não pensam em nada e ninguém que não sejam eles e deles saca, a reação não vem do medo né, o típico “quem muito fala vive pouco”…

 

Blog da Onda | E como você enxerga a mudança?

Emiciente | A mudança virá como uma vassoura que com o  tempo varrerá essas pessoas que não sentem compaixão, que não sabem respeitar, que oprimem os mais humanos dentre nós…muitos irão cair no decorrer dos corres…

 

Blog da Onda | Certo, mas aonde está a vassoura e quem está usando?

Emiciente | Os pastores da universal dá mil conto que varrem tudo que é mal da sua residência kkk…kô..pow manoessa vassoura tá na mão do povo tlg, a fé, o amor, a força, o querer, a resistência…mas usar já é outro caso me entende…

 

Blog da Onda | Isso que intriga, o discurso ser um e a prática outra…

Emiciente | O governo tem a parte mais pesada da vassoura, a parte que põe o lixo na pá e pior que não falo de nossos honestos e admiráveis garis.

 

Blog da Onda | Governos existem pra manter privilégios…como nos unir pra mudarmos esse quadro de sofrimento?

Emiciente | Diálogo entre a nação com representantes de cada região que estejam realmente dispostos a mudar a situação e não ganhar confiança e depois nos manipular…precisamos enfrentar os governos para termos resultados verdadeiramente de mudanças…

 

Blog da Onda | Diálogo, confiança e mudanças efetivas…essa é a ordem…pena ser tão raro hoje…o Rap age de que maneira nesse contexto social complexo?

Emiciente | Resistindo, doutrinando, resgatando muitos desviados e sempre agindo de maneira contestadora a tudo e todos que não são a favor da evolução…

 

Blog da Onda | Que evolução, explica melhor?

Emiciente | Entendimento pessoal e comunitário, igualdade, ver o amor nos olhares das pessoas na rua e não só malícia, o ser encontrar realmente maneiras para viver e não se achar melhor que o outro por causa de bens, condições ou qualquer outro motivo, que as pessoas aprendam de verdade o sentido de humildade, humanidade e amor…

 

Blog da Onda | Esse seriam os valores do Hip Hop?

Emiciente | O Hip Hop leva de tudo um pouco na minha opinião, cada letra tem seu sentido, poder e intenção se soubermos ouvir e entender…e aquilo que você ouve e entende no Rap (Hip Hop) pode ser e tem o potencial de mudança.

 

Blog da Onda | Já conversamos aqui com a rapaziada do Peso por Peso e o Axel, ambos de Rio das Pedras…na sua avaliação como tá a cena do Hip Hop na comunidade?

Emiciente | Pra mim fraca mano, nenhuma roda ativa, mas ando com projetos de fazer algo por aqui, tem galera interessada, mas ando com tempo super curto, mas se tudo der certo conseguiremos ter algo em breve…

 

Blog da Onda | Mas não tá rolando nem aquele churrasco de Rap?

Emiciente | Tem como fazer churrasco de Rap ? kkkkk

 

Blog da Onda | É a desculpa que a galera em Rio das Pedras dá pra milícia, que controla os eventos da comunidade, pra fazer uma roda…

Emiciente | Pow…foi um aniversário do Grilo (comando central) que rolou um churrasquinho lá tlg, comi bastante falando nisso e to com saudade kkkkk, mas foi comemoração do aniversário do mano  tlg…realmente os caras controlam mesmo…

 

Blog da Onda | Porque você escolheu o Rap?

Emiciente | Não escolhi o Rap, o Rap me deu uma oportunidade.

 

Blog da Onda | Oportunidade de que?

Emiciente | Eu sempre escrevi desde menor poesias, produções textuais no primário…sempre tive criatividade pra esse tipo de atividade, sempre gostei de anotar coisas e relatos importantes do meu dia a dia me entende…com o amadurecimento de minhas ideias eu percebi que eu tava no Rap me expressando de maneira escrita (só eu sabia),depois quando comecei a rimar com uns amigos (Vitor Nunes e Yuri Santos) que fui percebendo que aquelas simples escritas com intuito de apenas servirem de exemplo pra mim poderiam virar músicas e servir não só pra mim…

 

Blog da Onda | Como foi esse encontro com o Rap, que idade você tinha?

Emiciente | Ouvia Rap sem saber que era Rap, tenho um primo que ouvia Facção Central, RZO, Sabota e eu sabia cantar tlg, mas nessa época morávamos com minha bisavó e ela não “gostava desse tipo de música” por isso não tínhamos liberdade pra ouvir sempre, mas ouvíamos quando ela ia ao centro da cidade fazer algo kk (morava no interior de MG). Eu tinha entre 8 e 10 anos de idade.

 

Blog da Onda | Porque Emiciente?

Emiciente | Rap consciente, sempre busquei e busco fazer algo próprio diferente, com propósitos firmes e diretos, achei que um nome diferente e que deixasse algo no ar desde o primeiro pronunciamento seria um bom começo…

 

Blog da Onda | Maior dificuldade que você encontra na carreira do Rap?

Emiciente | De onde tirar pra investir…cheguei a ficar sem comer pra gravar meu primeiro single.

 

Blog da Onda | O que te motiva a ter essa sede de vencer no Rap?

Emiciente | Não é bem “vencer no Rap” e sim vencer na vida, Rap pra mim é uma forma de mudar vidas, não uma luta ou guerra como muitos interpretam tlg, o que me faz me esforçar ao máximo pelo Rap em todos os sentidos é simplesmente o amor tlg mano…nada além.

 

Blog da Onda | Quais suas influências musicais?

Emiciente | Marechal, Criolo, Mano Brow, Edie Rock, Thaide, Sabotagem, Caetano Veloso, Síntese, Coruja BC1, Emicida, Planet Hemp…

 

Blog da Onda | E quais são os planos pra 2016?

Emiciente | Os planos são de lançar um ep com 7 ou mais sons, das poesias que já tenho “terminadas” em casa e de fazer um rolê pelo Brasil assim que lançar esses sons…eu, o pen drive e a sombra…

 

Blog da Onda | E as rodas culturais, como você avalia a  importância cultural delas?

Emiciente | Sem palavras mano, isso é extremamente importante tlg, é uma maneira de resistir, persistir e existir em meio a tanto caos e descaso, onde não nos fornecem cultura de maneira real e propícia a todos (as),vejo que as rodas culturais são uma forma de ensino e incentivo à prática de atividades produtivas a qualquer pessoa…volto a dizer “Ensinem o amor real a cada ser desde criança…”  CORCIÊNCIA

 

Blog da Onda | Um recado final pra galera…

Emiciente | Estudem, aprendem além do médio, do técnico, se entendam, sejam sua própria loucura e seu próprio sanatório e nunca se esqueçam de que respeito é fundamental…amém? axé ? Pra quem quer paz, tanto faz…humildade é bem mais que vestimentas, calçados, bens materiais…humildade mesmo tá no peito…sigo desse jeito…e mais, PROMETO FALHAR…

 

Conheça os trabalhos Emiciente:

Música “Horário nobre” – https://www.youtube.com/watch?v=xGIUSso0sNY

Música “Corciência” – https://www.youtube.com/watch?v=y8uhyRlK_yg

Música “Eloquência aos acenstrais” – https://www.youtube.com/watch?v=1NOlmqYjEOA

Facebook – https://www.facebook.com/Emicientemc?fref=ts

 

A rataria do Rap

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Por Júlio César da Costa

Rataria Suburbana é um grupo carioca de Rap formado pelos jovens Murilo e John, ambos com 18 anos de idade. Murilo é cria da Taquara e John de Quintino. Os dois se conheceram na Faetec em 2013 e desde então vêm explorando o universo do Rap com um olhar apurado para as raízes sociais que deram origem à cultura Hip Hop. O grupo vai se apresentar na Roda Cultural do Terreirão #25, que vai rolar no próximo sábado, dia 10. E batemos um papo com essa rapaziada do bem.

Blog da Onda | Fala um pouco sobre a história do grupo..

Rataria Suburbana | A gente se conheceu na Faetec e fazíamos freestyles de rima. Na medida em que nos conhecemos melhor percebemos que tínhamos muitas afinidades de ideias.  Por isso a decisão de criar o grupo de Rap em 2014 surgiu naturalmente, como uma forma de produzirmos conteúdo que despertasse a consciência das pessoas. Afinal o povo sofre muito e a música pode ajudar as pessoas a escolherem os caminhos certos.

 

Blog da Onda | Na Faetec tem muita gente que curte Rap?

Rataria Suburbana | O público de Rap da Faetec é bem grande. Já rolaram duas “batalhas” de conhecimento. Nunca vimos o auditório tão cheio. Isso foi em 2014. Mc Bernard da Pavuna se consagrou campeão em uma das batalhas que o Murilo apresentou.

 

Blog da Onda | Quando e porque vocês começaram a curtir Rap?

Rataria Suburbana | Na real o Murilo desde sempre curtiu. Na infância já gostava mais daqueles funks que os caras não falavam muita besteira e também não tentavam cantar, curtia os que eram falados assim como o Rap. Com uns 5 anos conheceu o som do Mag, que fazia um Rap mais gangster. Desde então passou a ouvir 50 Cent, Snoop Dog e até Notorius, mesmo sem nem ter ideia do que eles falavam. Quando fez uns 10 anos, Murilo entrou numa de estudar a historia do Rap e viu que se encaixava perfeitamente com sua visão de vida. Já o John era baterista de uma banda de rock, mas também ouvia Rap desde 2007, como a Cone Crew na época do ataque lírico.

 

Blog da Onda | O que é um Rap bom pra vocês?

Rataria Suburbana | Rap é ritmo e poesia…um bom Rap é aquele que não fica só falando de erva, dinheiro e essas outras coisas. O Rap de boa qualidade é escrito pondo a alma na ponta da caneta e o coração no caderno, o bom Rap é aquele que faz as pessoas se identificarem e se emocionarem ao ouvir

 

Blog da Onda | Quem vocês se identificam hoje na cena?

Rataria Suburbana | Shawlin, Canetabeats, Haikaiss, Oriente entre outros.

 

Blog da Onda | Qual é o maior desafio hoje pra quem tá começando no Rap?

Rataria Suburbana | O maior desafio é o Rap em si, você pode ter talento, mas se não tiver um Dj e um estúdio é impossível começar. Para fazer Rap igual como fazemos é complicado, tem que ter dinheiro pra gravar, dinheiro pra comprar beat, dinheiro pra se divulgar. O mundo está movido pelo dinheiro e o Rap também. Se tivéssemos um estúdio ou um Dj e chegássemos falando de putaria e drogas, a gente já tinha estourado…infelizmente o povo brasileiro não pensa em cultura e sim em boemia…

 

Blog da Onda | Como mudar essa preferência?

Rataria Suburbana | Conscientizando, porém, é impossível um grupo que ainda tá no underground conscientizar 210 milhões de pessoas, acho que para isso acontecer tinha que ter uma campanha, grupos de diversos estilos de músicas darem o exemplo, assim uma grande parte da população pode absorver melhor a mensagem.

 

Blog da Onda | Quando se autodenomina uma cultura underground o que vem à mente?

Rataria Suburbana | O underground é uma cultura diferente das outras, ser da cultura underground é saber que você tá no inicio, a palavra underground em si quando traduzida significa subterrâneo, temos undergrounds de todos os estilos, mas ser underground mesmo é ser você, não seguir as “modas” que a mídia fica usando para influenciar a população a seu favor, ser underground é ser único.

 

Blog da Onda | Então ser underground é ser autêntico?

Rataria Suburbana | Exatamente.

 

Blog da Onda | A Cone Crew é underground? Como você rotularia?

Rataria Suburbana| Acho que eles hoje são “rap mídia”, a Cone Crew de 2012 para a frente mudou seu estilo para estourar, o que nós vemos no álbum de 2007 (obs: que não estourou) é bem diferente do que vimos de 2012 em diante. O que vimos foi um grupo falar de maconha de todos os jeitos e ficar mega conhecido, não criticando, cada um com o seu cada um.

 

Blog da Onda | Quem se manteve na linha do rap consciente que vocês curtem e hoje faz sucesso?

Rataria Suburbana | Não vemos ninguém que tenha estourado e que se manteve. Mas os que são conhecidos e curtimos são Marechal, Black Alien, Emicida e Haikaiss.

 

Blog da Onda | Além do inegável talento desses nomes, o que mais fez a diferença pra essa turma conquistar seu espaço e respeito?

Rataria Suburbana | Conteúdo, flow, talento, sabem lidar com o público. Acima de tudo são pessoas que conquistaram o respeito no Rap e também na vida. E respeito é a base de tudo.

 

Blog da Onda | O que Sabotage significa pra vocês?

Rataria Suburbana | Sabotage é um ícone do Rap, assim como Racionais. A história dele mexe com qualquer um. Tudo que ele conquistou enquanto era vivo foi muito merecido.

 

Blog da Onda | Sabotage é um cara que transforma revolta em amor….não acha que tá faltando isso no Rap hoje em dia?

Rataria Suburbana | A revolta é necessária mas tem que ser usada da forma certa. Já o amor move nossas vidas. Para quem canta o que o país vive é impossível não se revoltar, mas quem tem motivos para falar sobre amor é sempre bom expor, aliás, se é o amor que nos move então vamos nos movimentar, hahaha…

 

Blog da Onda | Porque Rataria Suburbana?

Rataria Suburbana | O grupo ia ter outro nome, mas não tava a nossa cara. O John então propôs que fosse Rataria Suburbana Crew. Na real não tem um significado em sí, apenas combinava bastante com a gente pelo fato da gente ser considerado “ratos”, que é uma expressão de quem é ágil, de quem é da rua etc… e suburbana para dar a ideia do subúrbio…achamos que o nome ficou bem a nossa cara..

 

Blog da Onda | O que é Hip Hop pra vocês?

Rataria Suburbana | Hip Hop não é só um estilo de música como muitas pessoas acham…Hip Hop é a cultura mais linda que existe, composta por 4 elementos, bboy, dj, mc e grafiteiro. O Hip Hop é vida.

 

Blog da Onda | De que maneira você enxerga a beleza do Hip Hop?

Rataria Suburbana | Como um amante da cultura de rua, a beleza do Hip Hop é muito maior que a do desfile de samba, por exemplo. Cada elemento tem sua beleza diferenciada, o MC com seu raciocínio apurado para “brincar” com as palavras, o Bboy dançando com técnicas parecidas até com a da própria capoeira, o Dj soltando as pedradas ao seu estilo que dá vida às festas e aos eventos, e o Graffiti, que se ninguém passar uma tinta por cima da arte dele vai se eternizar.

 

Blog da Onda | Mas quais são os valores do Hip Hop, qual sentimento que é sua raiz?

Rataria Suburbana | O valor do Hip Hop é trazer cultura,  é mostrar um caminho melhor, é contar histórias de vida. Sobre a raiz do Hip Hop, ela vem das favelas, dos guetos, que é como chamam nos Estados Unidos. Se o Hip Hop não tivesse vindo do gueto  não seria metade do que é hoje, não teria metade da informação que tem. Mas tem algo errado, tem gente que acha que porque as pessoas que começaram a fazer Hip Hop vieram do gueto, todos que fazem ou que querem fazer têm que vim da favela, isso acaba sendo preconceito com quem não vem da favela e quer expandir a arte. O Hip Hop em si é livre, todos podem praticar. Se tem um playboy que mora em um prédio da Barra e quer fazer Rap trazendo conteúdo, porque não podemos deixar? É conteúdo igual a qualquer outro, apenas de fontes diferentes.

Murilo Moura | Eu por exemplo não vim de favela, tudo bem que nunca tive molezinha na minha vida, mas não vim de favela, amo fazer Rap e se alguém chegar falando que eu não posso fazer porque nunca morei dentro de favela eu vou ficar puto, porque o que eu trago não tem endereço de entrega, é para todas as classes sociais, para todas as residências, para todos os seres humanos, acho que se os sons não têm endereço de entrega, também não devia haver preconceito de onde ele será enviado.

 

Blog da Onda | E esse preconceito existe escancarado?

Murilo Moura | Se existe?! Existe o tempo todo, muita gente já chegou me perguntando com cara de nojo o que eu vivi….acho que a minha história teve pontos positivos e negativos, digamos que eu nunca passei dificuldade e nunca tive molezinha, idaí? Por isso eu não vou tentar mudar a mente da população para melhor? Por isso eu não posso escrever uma letra revolucionária encima de um beat?

Rataria Suburbana | Da mesma forma que é errado o preconceito contra gays, negros, brancos, lésbicas etc… é errado esse tipo de preconceito com estilos e afazeres, se temos o poder de ir e vir por que não podemos usar do jeito que quisermos?

 

Blog da Onda | Se queremos o Rap forte não é dividindo….afinal o Hip Hop surgiu como uma bandeira de amor e paz….congregação, certo?

Rataria Suburbana | Correto, não adianta dividir, temos que somar, até multiplicar, mas se dividir só vai deixar a gente cada vez mais longe de revolucionar a nossa era.

 

Blog da Onda | Duas coisas positivas e negativas da Roda do Terreirão…pra melhorarmos sempre

Rataria Suburbana | Positivo: 1 – a organização; a roda é muito bem organizada e isso a diferencia de outras rodas de uma boa forma; 2 – a roda cultural do terreirão é a ÚNICA que tem o Hip Hop completo sendo executado nela – Mcs, Bboys, Grafiteiros e Dj. Negativos: o público se dispersa nos shows dos grupos que vão mostrar trabalho e a demora para iniciar as batalhas, embora saibamos que depende de fechar todos os nomes para começar.

 

Blog da Onda | A questão do público dispersar nos shows, é só no Terreirão ou vocês acham q rola isso nas outras também?

Rataria Suburbana | Isso rola em quase todas, a única que tem um público que fica ali na hora dos shows (nada tão extenso também, cerca de 50%apenas) é a roda cultural do Méier.

 

Blog da Onda | E porque vocês acham que isso acontece?

Rataria Suburbana | Porque muitos do shows não são bem programados, e acabam ficando entediados, daí surgiu o costume de dispersar para conversar e deixar o show apenas como uma música ambiente. Para o público acostumar com os shows, talvez poderia haver cadeiras mais perto do palco, assim pelo menos as pessoas sentariam ali perto e acabariam sendo induzidos a assistir o show, e com certeza ia despertar o interesse de muitos.

 

Blog da Onda | Um sonho?

Rataria Suburbana | Conseguir viver do Rap e mudar o país.

 

Blog da Onda | Pra gente fechar, um recado pra galera…

Rataria Suburbana | Rapeize, cola na grade dia 10, RS Crew tá na casa, bora fazer um show pesado para vocês e vai rolar um som surpresa, inédito até agora!